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Anime | Falece o icônico dublador Ricardo Schnetzer

fevereiro 7, 20267 Min. de Leitura


Ricardo Schnetzer
Ricardo Schnetzer
©Ricardo Schnetzer

No dia 04 de fevereiro de 2026, o Brasil sofreu uma grande perda no mundo do entretenimento ao se despedir de uma das vozes mais icônicas da história: Ricardo Schnetzer. Ricardo Luiz Guimarães Schnetzer, nascido em Rio de Janeiro no dia 13 de abril de 1953, é lembrado até hoje por sua voz profunda e marcante, que deu vida a personagens de grandes astros como Richard Gere, Nicolas Cage, Al Pacino, Tom Cruise, Kurt Russell, Ray Liotta, entre muitos outros, em diversos gêneros cinematográficos.

Início da carreira

Antes de se aventurar na atuação, Ricardo ganhou de seu pai, aos 12 anos, um gravador de voz, com o qual se divertia reproduzindo locuções de programas de rádio e séries de sua infância, como Nacional Kid e Vigilante Rodoviário. Essa paixão pela arte o levou, nos anos 70, ao Conservatório Nacional de Teatro no Rio de Janeiro.

Durante seus primeiros passos no meio artístico, a dublagem brasileira enfrentava uma escassez de atores, já que o setor estava em plena expansão. Juntamente com outro ícone, Márcio Seixas, Ricardo passou por estágios nesse campo, mas foi rejeitado pelos estúdios. A sorte mudou quando Ângela Bonatti e Marlene Costa, duas renomadas figuras da dublagem, o escolheram para seus primeiros papéis, após diversas tentativas frustradas que quase o fizeram abandonar a carreira.

Vozes consolidadas

Ricardo Schnetzer
Ricardo Schnetzer
©Ricardo Schnetzer

Ricardo iniciou sua jornada na Herbert Richers em 1973, dando vozes a diversos personagens. Logo em seus primeiros anos, se tornou a voz de Al Pacino em O Poderoso Chefão – O Épico (1977), sendo considerado sua voz oficial no Brasil desde então. Contribuiu também em Scarface (1983), O Poderoso Chefão – Parte III (1990), e Treze Homens e um Novo Segredo (2007).

Como Richard Gere, destacou-se em: Gigolô Americano (1980) e Uma Linda Mulher (1990). Fez a primeira dublagem de um jovem Tom Cruise em Toque de Recolher (1981) e se consagrou em papéis como em Questão de Honra (1992) e Missão: Impossível II (2000). Em relação a Nicolas Cage, foi pioneiro ao dublá-lo em O Selvagem da Motocicleta (1984).

Na trama das novelas mexicanas, obteve grandes reconhecimentos, sendo a voz do “boneco” Fernando Calunga nas produções da Televisa como Maria do Bairro (Luis Fernando) e A Usurpadora (Carlos Daniel). Também emprestou sua voz para Eduardo Yáñez em novelas como Destilando Amor, e Sebastián Rulli em séries como Rubí e Teresa.

Animações notáveis

Bleach: Thousand-Year Blood War
Bleach: Thousand-Year Blood War
©Bleach: Thousand-Year Blood War

A voz de Ricardo também esteve presente em animações ocidentais de sucesso, sendo o Benson de Apenas um Show (2008), além de dublar o Macaco em Kung Fu Panda, tanto nos filmes quanto na série. Ele deu voz ao Slade em Jovens Titãs e ao lêmure Maurice em Madagascar 2 e 3. Contudo, sua interpretação mais memorável pode ter sido como Hank na clássica série Caverna do Dragão, além de ser o Capitão Planeta.

Nos animes, inspirado por Nacional Kid, um dos primeiros Tokusatsu exibidos no Brasil nos anos 60, Ricardo foi um dos primeiros dubladores de produções japonesas. Em 1972, durante um de seus estágios, dublou As Aventuras de Pinóquio, e de 1976 a 1979, participou de Candy Candy.

Ele dublou obras icônicas como Yu Yu Hakusho (1992-1995), onde foi a voz de Kazemaru, e Cowboy Bebop (1998-1999) como Doohan, além de vozes adicionais. Contribuiu para As Meninas Superpoderosas: Geração Z (2006-2007) como Prof. Pithium, e foi o narrador em Fairy Tail, tendo mais recentemente dublado Ukitake em Bleach: Thousand-Year Blood War, entre muitos papéis notáveis.

Falecimento e legado

Ricardo Schnetzer
Ricardo Schnetzer
©Ricardo Schnetzer

O dublador foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) no início de janeiro de 2026, o que gerou uma mobilização na comunidade da dublagem e entre os fãs para arrecadar fundos para seu tratamento. Infelizmente, ele não resistiu aos efeitos devastadores da doença, falecendo aos 72 anos na cidade que o viu crescer e se consagrar na dublagem — Rio de Janeiro.

Ricardo passou de um ator rejeitado a uma das mais grandiosas vozes que o Brasil já teve a honra de conhecer. Atuou como diretor de dublagem do clássico Advogado do Diabo (1997) e foi parte do primeiro filme dos X-Men. Sua fama era precedida por seu amor pela atuação, e ele sempre carregou o sonho de seu avô materno, que tinha aspirações de se tornar ator na juventude, o que o inspirou ao longo de sua carreira. Suas performances são lembradas pela impressionante versatilidade e amplitude vocal, que acompanhou a evolução da voz de Al Pacino.

Ele era uma pessoa acolhedora, acessível e acreditava no potencial de novos talentos, como fez com seu sobrinho, o ator Victor Vaz. Ricardo foi um dos pioneiros da dublagem, inserindo-se em um contexto onde grandes nomes do teatro e das radionovelas como Isaac Bardavid e Orlando Drummond já eram admirados. Teve a chance de atuar em diversas produções que tocaram diferentes públicos, abrangendo desde filmes e séries até animes japoneses e obras nacionais autorais.

Da dublagem para a eternidade!

No Geek.etc, somos apaixonados por mergulhar em universos de anime e desenho, onde cada quadro é uma nova aventura esperando para ser descoberta!
Fotos: Reprodução, Divulgação, Animeunited, Google

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